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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

"PM ocupa Pernambués e à noite carlista faz visita ao bairro. Muito mais que uma simples coincidência", denuncia Luiz Carlos Suíca

Pernambués é a minha casa, o lugar onde fui criado, o lugar que conheço cada esquina, cada travessa. Quando mexem com o Pernambués, o atacam, é o mesmo que me ferir pessoalmente.

Quero aqui fazer um apelo para que as autoridades estaduais, em especial mais uma vez o querido secretário da Justiça Almiro Sena, que verifiquem a razão de hoje, quarta-feira, 3 de outubro, a PM ocupar o bairro, fazer uma varredura, revistar a população, justamente quando agora (21 horas) o candidato ACM Neto realizar uma atividade de campanha eleitoral em nosso bairro.

Pode-se até alegar que é para a segurança dos moradores do Pernambués a presença policial. O argumento pode ser válido, porém, não é a primeira vez que a "coincidência" acontece. Será que a PM é comandada pelo carlismo? Será que nós, do Pernambués, somos todos marginais que precisamos de revista para depois chegar um playboyzinho e visitar nosso bairro?

O nome Pernambués tem origem indígena e significa mar feito à parte ou tanque de água. O local é composto basicamente por moradias populares e pequenos comércios. A área, por possuir uma densa aglomeração humana enfrenta muitos problemas de estrutura que as associações de moradores, e o GAP (Grupo Alerta Pernambués) em especial, tentam solucionar junto ao poder público.

Onde estão os candidatos e candidatas do DEM, PSDB, PPS, PV e PTN que se reivindicam do Pernambués e que estão apoiando a candidatura carlista que nada fazem para impedir a humilhação de nossa gente?

Em nome do meu bairro de origem, o Pernambués, exijo respeito e que tudo seja apurado. Em companhia de Nelson Pelegrino, que também é deputado federal e tem mais de 30 anos de luta política em defesa do nosso povo, realizamos visitas, caminhadas e atividades aqui e não foi preciso nenhum aparato policial. Respeitamos e gostamos de estar ao lado do nosso povo.

  
Por que quando o filho de uma família que por quase 40 anos dominou o governo estadual chega a nosso bairro, o Pernambués é cercado pela PM? O bairro de Pernambués em Salvador é um dos mais populosos da capital baiana e a maioria é composta por negros e negras. Têm medo de nossa origem?

Repito, exigimos respeito! A resposta àqueles que desrespeitam a população do Pernambués e região será dada no dia a dia e em especial no domingo, 7 de outubro. Vamos mostrar que não será com aparato policial e produção cinematográfica que irão atemorizar nossa consciência e vontade de construir uma nova Salvador.

Luiz Carlos Suíca - 13031
Pelegrino - 13

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Almiro Sena, pedimos a reabilitação da memória e da imagem de um garoto do Pernambués morto por policiais

Felizmente a Secretaria da Justiça Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH) tem como titular o promotor Almiro Sena Soares Filho. Uma pessoa honrada e que tem uma história ligada aos Direitos Humanos e o combate ao racismo. Reafirmo a admiração e confiança que tenho por Almiro Sena o que me leva a solicitar mais uma vez sua intervenção direta para impedir que uma tragédia, a morte de um adolescente de 15 anos por policiais militares, acabe ainda jogando sobre o garoto e sua família outra tragédia, a de que mataram um bandido qualquer, um traficante perigoso.

O adolescente Rodrigo Santos Conceição, 15 anos, baleado por soldados da 1ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) em Pernambués, no sábado, dia 15, precisa ser apurado de forma isenta.

Os policiais alegam que, durante uma incursão em busca de assaltantes foram recebidos a tiros por um grupo de cinco homens armados. Houve tiroteio e o garoto acabou sendo baleado. De acordo com o Departamento de Comunicação da polícia, com ele, foi apreendida uma pistola 380.

Sou do Pernambués, conheço milhares de pessoas e há uma característica de meu bairro, comum a todos os bairros populares e periféricos: Quando pessoas se apresentam, colocam o rosto para dar entrevistas e se propõem testemunhar a inocência de alguém, pode ter a certeza que é verdade.

Todas as pessoas que mantenho contato dizem que a polícia chegou atirando "No sábado, quando Rodrigo se bateu com eles no beco, com medo, correu", relata Simone Santos, mãe da namorada do jovem e dona da casa de onde ele acabara de sair antes de ser morto.

A mãe do rapaz Eliana Gabriel dos Santos e o pai Ronaldo da Conceição clamam por Justiça. São pessoas sérias, honradas, trabalhadoras, como a maioria absoluta da população do Pernambués. A vida do garoto Rodrigo Santos Conceição eles não podem trazer de volta. Querem agora é salvar a memória do rapaz, sua imagem e sua honra. Não aceitam a versão de que ele estava armado, que atirou na polícia e que morreu por ser marginal.

O jornal *Correio relata o seguinte: "A cunhada da vítima, 19 anos, afirmou que o garoto não tinha envolvimento com o crime e que, pouco antes do ocorrido, estava na casa dela com a namorada. 'Ele estava aqui em casa com a gente, pediu para fazer almoço e disse que ia cortar o cabelo para depois almoçar. Tem um beco aqui que já sai na Luís Eduardo Magalhães [avenida]. Todo mundo que estava na rua viu como tudo aconteceu, tinha muita gente porque era sábado. Falaram que quando ele chegou no beco e viu a polícia fez menção de correr e atiraram nas costas dele. Ele correu ferido, com sangue pingando, para a casa de uma moça e ficou no quintal. Quando ele foi ver se a polícia tinha ido embora, um policial o viu e disse 'aqui, ele está aqui'. A moça [dona da casa] pediu para os PMs não matarem ele, que era um garoto de família, que era para levar ele preso e não matar. Os policiais disseram para ela 'a gente não veio para prender, veio para matar'. Atiraram de novo nele e depois colocaram uma arma junto dele".

Querido secretário Almiro Sena, solicito sua intervenção direta neste caso. Não tenho a menor dúvida sobre sua correção, seu propósito de servir o povo da Bahia, sua fidelidade aos ideais de Direitos Humanos e combate ao racismo. Tenho a mais plena confiança que se depender de sua atuação a memória, a Imagem de Rodrigo Santos Conceição será restaurada. Que toda a sociedade saiba que morreu um garoto íntegro e que sua família não têm do que se envergonhar. Quem deve estar envergonhada é a sociedade baiana que neste caso também foi vítima da violência de maus policiais.

Fraterno abraço, Almiro Sena.

*Luiz Carlos Suíca

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Campanha Nacional contra o Genocídio/Extermínio da Juventude Negra

Nota Pública
Comunicamos o Dia Regional de Mobilização Contra o Extermínio da Juventude Negra, a ser realizado nos dias 18 e 19 de outubro, do corrente ano em Salvador. Esta atividade integra a Campanha Nacional contra o Genocídio/Extermínio da Juventude Negra, coordenada pelo Fórum Nacional de Juventude Negra visando gerar em dimensão midiática, a sensibilização da sociedade às ações de combate e prevenção da violência racial destinada à Juventude Negra.

A Campanha no Nordeste é realizada em parceria com o Instituto Cultural Steve Biko, e surge como um instrumento de luta contra o racismo institucional orquestrado, sobretudo, pela policia brasileira. Emana em oposição ao extermínio dos jovens negros, encarceramento desproporcional da população negra; ao femicidio que vitima as jovens mulheres negras, a homo/lesbofobia que tem como alvo preferencial os homoafetivos negros (as) - no intento, da construção de uma política de segurança que respeite o povo negro e seja compatível com um Estado Democrático e de Direito.

Para que este objetivo político seja potencializado estamos criando mecanismos de fortalecimento das organizações juvenis no Nordeste, ocasionando os “dias de mobilizações territoriais”, haja vista detectamos que, embora exista o conhecimento da escandalosa letalidade de jovens negras (os) nas regiões metropolitanas, não se constata ações políticas voltadas para áreas interioranas, rurais, quilombolas invisibilizadas pelos governos.

Em concordância ao que foi explicado, pedimos às organizações negras, em especial àquelas já renomadas pelo importante embate frente ao genocídio do povo negro a nos acompanhar nesta ação de luta pela garantia da vida jovem, ceifada cotidianamente pela mão branca do Estado, pelo sensor de pretos dos cacetetes e revolveres policiais e, pelas “autas” resistências institucionais em prover políticas eficazes de superação das assimetrias sociais, cuja função tem sido injetar as drogas nas comunidades empobrecidas pelo sistema econômico do País.

Por fim, dispomos nossos contatos, a fim de que Você possa nos contatar, colaborar financeiramente, acompanhar nossas ações e fortalecer esta Campanha pela vida dos jovens, em nome dos nossos ancestrais, espíritos guerreiros que requerem corpos pretos para materializar na luta, uma nação que não expurgue o povo, que ponha fim na criminalidade desta droga de Estado e deste doloso Governo.

· Coordenação Nacional
BA - Carla Akotirene / Elder Mahin
PE - Marta Almeida / Jairo Nely
MA - Lorena Galvão

· Coordenação Regional
LGBT – Geovan Adorno
Religiões de Matriz Africana – Vivian Aqualtune
· Pró Fórum
PB - Luiza Regina
· Coordenação Estadual - Bahia
Railma Santos - Portal do Sertão
Roque Peixoto – Recôncavo Baiano
Sinho Yogi N´Kurumah – Região Metropolitana
· Articuladores da Bahia
Comunicação - Luedji Anjos
*Mia Lopes
*Márcio Viana
Intercâmbio Cultural – Mauricio Ramos
Mulheres - Fabiana Franco
Juventude em Conflito com a Lei – Eduardo “Machado”
Relação Institucional - Mara Assentewa
Religiões de Matriz Africana - Alberto Rocha
Região do Baixo Sul – Elienita Silva
LGBT - Esdras Marcio
Sudoeste Baiano – Daniele “Casa de Boneco”
· Gestão do Fundo Kellog de Apoio as Organizações Juvenis NE – Inst.Steve Biko – George Oliveira
Fonte: http://fojuneba.blogspot.com
Contato: fojune_bahia@yahoo.com.br

Obs.: Divulgamos esta atividade em nome do debate democrático. Envie sua contribuição que divulgaremos.

sexta-feira, 6 de março de 2009

É hora de reação do movimento sindical e popular

Há um processo de acirramento contra o movimento popular que nos preocupa. As entidades sindicais e populares não podem ficar alheias à situação porque quando reagirmos poderá ser tarde.

As declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, contra o MST; o relatório da CPI dos Grampos e a invasão policial da comunidade de Nova Divinéia, no bairro do IAPI em Salvador, em minha opinião, não receberam a necessária reação do movimento popular e sindical.

Sou a favor da legalidade e do Estado de Direito. Claro que não defendo ações armadas contra produtores rurais e desmandos nos campos, porém, o que aconteceu em Pernambuco quando da ocupação de terras pelo MST?

Até onde sei o ministro Gilmar Mendes é membro do Judiciário e não do Legislativo ou Executivo. Ele deve se manifestar sobre assunto que estiver na Suprema Corte e não fazer comentários políticos como se fosse porta-voz de uma corrente política oposicionista.

Em Pernambuco há cerca de 100 famílias acampadas há oito anos esperando uma decisão judicial sobre duas áreas em litígio. As famílias, mesmo trabalhando, plantando e tirando da terra o seu sustento, sofreram mais de 20 despejos.

Ora, um fazendeiro contrata pistoleiros, transformados em santos pelas declarações do ministro Gilmar Mendes, que foram armados ao acampamento fazer provocações. A reação foi no mesmo grau de intensidade e os quatro pistoleiros foram mortos. Volto a repetir que defendo uma solução negociada e dentro da lei e não na bala. Pergunto: Há santos nesse episódio?

Vamos ao episódio do IAPI, na comunidade Nova Divinéia. Um policial federal foi covardemente assassinado e a polícia deveria agir. Isso é evidente, porém, entrar metendo o pé na porta de casebres como mostrado na televisão, sem nenhum mandado judicial, isso é legal e aceitável? Por que não atuam assim contra o banqueiro Daniel Dantas que inclusive foi liberado da cadeia em prazo recorde pelo ministro Gilmar Mendes.

Os delinqüentes que mataram o policial deveriam ser capturados, presos, julgados e condenados pela Justiça. Isso ocorreu? As famílias que moram no local estão aterrorizadas até hoje com o episódio.

Parece que o lema de legalidade só serve para os ricos. Não se pode prender um rico sem que transite em julgado em todas as instâncias a ação judicial. Ora, metade da população carcerária brasileira, de acordo com números oficiais do Ministério da Justiça, espera decisão semelhante àquela que o banqueiro Daniel Dantas recebeu do presidente do Supremo Tribunal Federal. Do total de 422.373 presos em todo o País, mais de 211 mil estão em situação provisória - ainda sem condenação - e poderiam aguardar o julgamento em liberdade, como ocorreu com Dantas. A diferença é que o pobre, o ladrão pé-de-chinelo, depende de uma Defensoria Pública superlotada e carente de recursos. Os ricos...

Em relação ao relatório apresentado pelo deputado federal Nelson Pelegrino (PT-BA) na CPI dos Grampos, mais uma vez se pegaram os bagrinhos e os peixes grandes escaparam. O juridiquês das explicações não consegue convencer meu sentimento de que é mais fácil atingir aos menores que aos maiores. Se mais de três mil sofrem escutas ilegais, porque apenas cinco policiais civis foram apontados para indiciamento? Cadê os outros, inclusive os da Bahia que grampearam o próprio deputado Pelegrino?

Creio que chegou o momento, ou melhor, passou do momento de reagirmos de forma coletiva. As entidades sindicais e populares são representantes de suas bases e devem atuar nesse sentido e não se calar diante da escalada do conservadorismo venha de onde vier.

Encerro propondo que as centrais sindicais, em especial a CUT, e as entidades sociais em geral abram um debate amplo e franco com todos os setores da sociedade que não desejam nenhum retrocesso no processo político e social do Brasil, em especial o da retirada de direitos constitucionais e trabalhistas como ameaça a nebulosa nuvem que paira sobre a sociedade. Precisamos de uma ação unitária para manter e ampliar nossos direitos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Segurança pública não pode ser sinônimo de violência racial

É inegável que a sensação de violência e a criminalidade precisam ser reprimidas pelo Estado, em nosso caso na Bahia pelas polícias Civil e Militar. O que vemos na periferia, no entanto, é o medo dos moradores tanto diante da violência da marginalidade quanto das polícias, em especial a PM.

No dia 22 de janeiro o jornal A Tarde publicou que até aquela data já se registrará, com números oficiais, 30 mortes de jovens em supostas trocas de tiros com as polícias Civil e Militar. Os números falam por si e não deixam margem para dúvidas.

Não propomos que o governo do estado fique imobilizado e deixe as polícias sem atuar contra o crime, porém, não podemos ver tanto jovem, negro e da periferia ser assassinado e ninguém tomar uma medida.

Ninguém mesmo! Do lado do governo vemos a conivência de todos e até mesmo a Sepromi (Secretaria da Promoção da Igualdade) que em tese foi criada para combater toda forma de racismo, inclusive a violência policial, não atua como deveria. No movimento social existem várias entidades que sempre foram ativas, mas como seus dirigentes estão vinculados a partidos políticos da chamada “base do governo”, pouco ou muito pouco foi feito.

Não podemos e não devemos nos calar diante da matança camuflada em “auto de resistência a prisão”. Quando se mostra algum morto com antecedentes criminais logo se diz que “era mais um traficante”. Ora, se é para combater o tráfico de entorpecentes de forma séria por que não atacar os grandes traficantes internacionais e seus braços baianos que se localizam não nas invasões e bairros periféricos e sim nos mais chiques endereços da cidade? Por que combater só o traficante varejista que se esconde em um casebre qualquer nos bairros pobres?

Não da para aceitar que batidas policiais feitas em nome da segurança pública deixem nos bairros pobres a juventude negra jogada no chão com “tiros pelas costas, pelos vidros traseiros dos carros, na cabeça, no tórax, de cima para baixo, a queima-roupa, o que revela a intenção de matar dos agentes do Estado”, conforme já foi publicado também por A Tarde.

Solicito ao governador Jaques Wagner que atue neste campo, observe os dados e mude verdadeiramente o que precisa ser mudado para dar um basta ao assassinato da juventude negra e pobre. Ao Ministério Público solicito uma ação não de censura, mas de restabelecimento da dignidade humana. A mídia sensacionalista tomou para si o direito de julgar, condenar e expor ao ridículo na televisão jovens presos, alguns até em tempo real. Será correto delegados e policiais civis e militares aparecerem dia sim outro também nesses programas acusando e chamando de perigoso marginal alguém que acabou de ser detido e ainda não foi julgado legalmente?

Finalizo dizendo que quero segurança pública, sim. Não, porém, ao preço de desprezo da lei que abre caminho para um estado policial e de exceção.